sábado, 12 de maio de 2012

A Teoria da “Maiêutica” por Sócrates

As discussões filosóficas sobre o verdadeiro conhecimento tomaram um novo rumo com o surgir da figura de Sócrates. Os primeiros filósofos preocupavam-se em encontrar o fundamento (arké) de todas as coisas. Sócrates teve sua preocupação voltada para nossa relação com os outros e com o mundo.
Tomando a inscrição da entrada do templo de Delfos (Apolo) “Conhece-te a ti mesmo” como inspiração construiu o rumo de sua filosofia. Renunciou às vaidades e riquezas e dotando-se de nobres sentimentos em busca do acesso à verdade como sentido para a vida (pois para tal é necessário uma série de renúncias e purificações), começou sua caminhada.
Sócrates dizia que Deus o incumbiu à exortação dos atenienses, velhos ou jovens, a fim de que esses deixassem de cuidar e se ocupar co coisas do cotidiano, como riquezas, fama, poder e passassem a cuidar mais de si mesmo.
Tal atitude o fez dedicar-se inteiramente à filosofia e a prática dialógica(uma forma especial de diálogo – Maiêutica), por meio das quais seus interlocutores conseguiram perceber inconsistências em seus próprios discursos e pudessem se autocorrigir.
Atualmente estamos distantes dessa perspectiva socrática sobre esse cuidar de si. A humanidade está, cada vez mais voltada para produção e acumulação de conhecimentos com os mesmos propósitos iniciais citados dos gregos (fama, beleza, riqueza e poder). Mas, pergunta-se, para quê? O que vemos é uma correria sem fim e nunca há uma pausa para questionamentos do tipo: Será que vale a pena?
Os dias passam, muitos nascem e inúmeros morrem... E esses últimos, em maioria, não conseguiram por em prática o “Conhece-te a ti mesmo” de Sócrates em suas vidas, viveram apenas cumprindo deveres e direitos estabelecidos pela sociedade a qual estava inserido. Segundo Platão:
   ... Para o homem, nenhum bem supera o discorrer cada dia sobre a virtude e outros temas de que me ouviste praticar quando examinava a mim mesmo e a outros, e que a vida sem exame não é digna de um ser humano...(Platão – Apologia, 38 a).
Conhecermos a nós mesmos remete a um “Só sei que nada sei” (Sócrates), pois, para tal, torna-se necessário o reconhecimento de que toda a sabedoria existente até então, nada significa quando nos não sacia a alma ou não nos enche de plenitude, ao êxtase de, através da auto-análise reconhecer nosso verdadeiro papel no mundo, onde o convívio com amor ao próximo é indelével.
A busca da verdade, tão filosofada por Sócrates, é um caminho de ascensão, pois, ao conhecermos nós mesmos, a nossa relação com o próximo e até mesmo com o mundo é modificada, e essa mudança exprime-se em contribuições de idas e vindas gerando assim um ambiente fraternal onde o amor e a colaboratividade caminham de mãos dadas, pois temos como certo que, hoje em dia, esses elementos estão praticamente em desuso, fato comprovável é a violência, ignorância e arrogância que tem se estabelecido nas diversas sociedades em que o mundo se divide. Há certa divergência historiográfica sobre a utilização de tal método por Sócrates

Um comentário:

  1. Sócrates foi, sem sombra de dúvida, um dos Homens mais sábios que já passaram pela Face da Terra. Ainda o é, uma vez que suas idéias se perpetuam até hoje em nossa sociedade, já que ele mesmo dizia que o Sócrates que seus discípulos conheciam ou deviam conhecer não morreria nunca, que a Idéia que ele encarnava, não era dele, mas imortal e universal.
    Foi um Homem simples, roupas nada ostentadoras, que andava por Atenas aplicando a maiêutica em suas conversas com o propósito de descobrir a Verdade, encontrar o saber. Considerava-se nada sapiente. Considerá-lo seria não o ser! Ele desmanchava os conceitos e definições alheias com perguntas. Desconstruía todas as construções com alicerces de vento, ia mais fundo. Quanto mais fundo ia, mais percebia que o Saber não tem fim

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